segunda-feira, 30 de julho de 2012

Restaurantes no Chile: Centre Català


Em 2008, quando estivemos pela primeira vez em Santiago, jantamos no Centre Català , que não estava indicado por nenhum dos guias impressos que havíamos levado.

Só o conhecemos porque estava no caminho do nosso hotel e por ali passávamos diariamente, observando o ambiente charmoso e o jeitão simpático do restaurante. E não nos decepcionamos, o ambiente interno e o serviço estavam impecáveis. Consigo me lembrar das nossas escolhas - eu, peixe e Joca um filet au poivret, deliciosos.

Voltando a Santiago, pela sexta vez, resolvemos revisitar o Centre Català, e novamente, não nos decepcionamos, a simpatia e a atenção dos garçons merecem destaque, não menos importante que os deliciosos pratos e o ambiente refrescante da varanda.

Trata-se de uma experiência gastronômica inesquecível. Da carta, constam peixes, carnes e massas; vinhos, pisco sour dentre outras bebidas. São poucas as opções de sobremesa, mas que combinam perfeitamente com as opções de prato principal. Dessa vez, achei os pratos com visual mais elaborado, o que pra mim indica o zelo de quem os prepara e que podem ser conferidos pelas fotos.

Centre Català não abre às segundas-feiras e fica na
Avenida Suecia, 414 - Providência, Santiago do Chile.
Para reservas o número do telefone: 2322699 
Sítio eletrônico: www.centrocatalan.cl


Filet ao molho de queijo 
Texturas de chocolate
Callos a moda catalã 










quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Caminatas Fueguinos

A dica original da Agência Fueguinos foi da Cristina, uma amiga que já teve a ventura de morar por um tempo no Chile. Ainda não tive a oportunidade de fazer um tour com Pedro, mas passei a dica adiante para a Nancy e Nelson, que aprovaram com louvor o passeio e enviaram o texto e fotos abaixo:   

Em Santiago há muitas agências de turismo com passeios variados, mas poucos realmente valem a pena. Até os tours para as grandes viñas são caros; pelo mesmo preço em Queenstown (Nova Zelândia) se visita o dobro de vinícolas em metade do tempo. Pesquisando você também consegue ir por conta própria a Valparaíso e Viña de Mar sem estar preso aos horários de uma excursão, porém lugares de difícil acesso requerem um guia experiente, infraestrutura e tempo para disfrutar.

Fomos ao Monumento Natural el Morado, já na Cordilheira dos Andes, com a Fueguinos: http://fueguinos.cl/Descripcion/DescrPortugues.htm. Esta pequena agência também faz passeios para o litoral (Casa de Pablo Neruba de Isla Negra) e duas caminhadas no Parque Nacional la Campana. Pedro, o guia, foi nos buscar em sua van vermelha antes do sol nascer - uma das vantagens da Fueguinos é que as excursões são para grupos pequenos, nos acompanhou apenas um casal de canadenses.

Além de fornecer stake (bastão) e lanche para almoço no parque, Pedro também preparou o café da manhã, trouxe tunas (uma fruta típica chilena) e ainda pagou nossas cervejas e empanadas no final do dia em um bar de San José de Maipo. O Monumento el Morado é um local inóspito, portanto foi ótimo não ter que se preocupar com nada e chegar cedo ao parque para enfrentar com calma os 16km de ida e volta a 2000 metros de altitude!

Voltamos para Santiago depois das 21h cansados e com muitas fotos das montanhas coloridas, fontes, lagos, vulcão, glaciar... só faltaram os condores que deviam estar com muito calor para voar. Então, mesmo se você não gostar de esforço físico, procure o Pedro e pergunte pelo roteiro Océano Pacífico - com certeza ele vai organizar um belo passeio.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Bares em Santiago: Elkika Ilmenau

O “Elkika Ilmenau” é um bar alemão na Providência bem próximo ao local em que costumamos ficar quando vamos a Santiago.

Já fomos lá várias vezes e, quando chegamos agora somos logo recebidos com um abraço pelo Cristián, “nosso garçon” no bar. O Elkika não abre aos domingos, e está sempre movimentado nos outros dias. É um ponto de encontro dos santiaguinos que trabalham na Providência.

Da cozinha, saem sanduíches e pratos alemães, à base de chucrute e salsichas, sempre fartos.

O forte do bar é mesmo o ambiente, sempre entre o animado e o festivo. E o chopp. Minha pedida lá é sempre a mesma, um Kunstman Torobayo, chopp encorpado fabricado na cidade de Valdívia. Eles servem outras marcas e também uma exótica mistura de fanta laranja com chopp (fanchopp) apreciado por algumas das jovens frequentadoras mas que eu, pessoalmente, não aconselho.

O Happy hour é a melhor hora do Elkika, com bastante movimento. O que está ótimo porquê o happy hour em Santiago costuma estender-se até por volta das 23 horas.

Outra programa ótimo no Elkika é assitir a um jogo de futebol da “roja”, a seleção chilena. O entusiasmo dos chilenos com o futebol é impressionante. Mesmo quando a seleção não está jogando tão bem assim, e é muito gostoso partilhar desse entusiamo com eles.

Os preços são bons: Um choop Torobayo, com 500 ml, sai por $1,500 (R$ 5,60) e os sanduíches na faixa dos $ 2,900 (R$ 11,00)

Elkika Ilmenau
Diego de Velázquez #2109 - Providencia, Santiago

domingo, 14 de agosto de 2011

Jazz em Santiago: El Perseguidor

A dica veio de um amigo que morou em Santiago no início dos anos 70 e que voltou lá várias vezes, depois. Para ouvir um bom jazz em Santiago, vá ao El Perseguidor. O guia da Viagem e Turismo também recomenda o local, mas não tema: os turistas são minoria (ao menos em noites de jazz).

A casa não é exclusiva de jazz e por lá você também encontra música brasileira (com destaque para o samba e a bossa nova) e noites com outros ritmos latinos, como rumba ou salsa. Vale a pena pesquisar antes a programação para não ir querendo curtir uma coisa e terminar ouvindo outra.

Na semana em que decidimos conhecer o local, só a noite de sábado era dedicada ao jazz. Trilha sonora escolhida: bebop com a banda de  Cristián Cuturrufo.

Reserva feita dois dias antes pela internet e confirmada por e-mail, surpresa na hora em que chegamos: o garçom não tinha a informação da reserva. Felizmente, havia um bom lugar vago. Sentamos, pedimos vinho e mojito e ficamos observando a chegada das pessoas.

A noite foi excelente! Fazia tempo que não ouvia jazz. E essa música faz bem para a alma. Couvert de $2,500 (R$ 9,36) + consumação de $ 5,000 (R$ 18,70). Só não consome o mínimo quem tomar só água, e olhe lá. Fim da noite: garrafa de vinho, um mojito, brusquetas e um filet trinchado, água e couvert mais propina , $ 41,090 (R$ 153). Não é de graça, mas também não é um absurdo, e o ambiente e a música valem a pena.

Dica: é uma casa de fumadores. Se não gosta de cigarro, fique em casa ou vá com o espírito preparado. Não seja um chato que ninguém lhe vai dar atenção.

Outra dica: no final do show todo mundo pede a conta e as coisas ficam um pouco confusas. Observe os santiaguinos, quando perceber que eles começaram a pedir a conta, faça o mesmo.

Depois, é dar uma volta pela Bella Vista que é uma festa de bares e restaurantes na noite que está só começando.

El Perseguidor
Antonia López de Bello #0126 - Bella Vista - (56-2) 777 67 63


segunda-feira, 16 de maio de 2011

Afinidades desconhecidas

Uma das grandes novas alegrias que a internet nos dá é descobrir afinidades com gente que nem conhecemos. Esse blog promove esses encontros.

O Peterson, por exemplo, comentou que " Acabei de voltar de Santiago. Esse post foi a última coisa que li antes de arrumar a mala. Obrigado pela dica da cerveja! Provamos a Kunstmann e Austral das que vocês falaram. Também gostei da Mestra!"

E esse comentário foi feito acerca de um artigo escrito por dois outros amigos do blog, que organizaram um post sobre cervejas: a Nancy e o Nelson.

Em homenagem a esses amigos desconhecidos, reproduzo abaixo a contribuição da Julia Borba, que esteve no Chile no começo do ano e nos escreveu: "Meu nome é Julia, e acabei de ler uma boa parte do seu blog e me encantei !! Fui pra lá em janeiro deste ano (...) Também sonho em morar lá, e já tenho formada dentro de mim a minha alma chilena (...)me identifiquei com o perfil (...): brasileiros amantes do Chile"



Minha viagem ao Chile
por Julia Borba
:: amiga do blog ::

Fui para o Chile em janeiro deste ano e ... fiquei TRÊS DIAS dentro de um ônibus!! Mas todo o esforço valeu a pena, já que lá é um lugar lindo e a cultura encantadora ; segue a lista dos lugares que conhecemos:

Aduana Chilena: chegamos lá as 4h30 da manhã e saímos as 7h00. Dá pra ver bem de perto a Cordillera , e a vista é encantadora!!!!! Claro, lá é muito frio, e quem não está acostumado, sente os efeitos das grandes altitudes.

Caminho para Los Andes: se subimos a Cordillera ... então também descemos! São 30 curvas, acompanhadas pelas montanhas e pelo rio Mapocho

Ciudad de Los Andes: ficamos hospedados num colégio que tinha uma grande estrutura: piscinas, 6 quadras, sala adaptada para alunos especiais, cafeteria, sala de dança, laboratório, sala de informática etc.; visitamos a Codelco (empresa da mineração chilena de cobre) e um “clube” patrocinado por ela, o Polideportibo. Passeamos por um shopping chamado Espacio Urbano (destaque para o Bar Mamut), e lá dá pra fazer o cambio de moedas. O Jumbo (supermercado) em comparação, é um “Extra” chileno.

Caso você tenha amigos chilenos e queira ligar para eles, você pode encontrar as “cabinas telefônicas” nas ruas, shoppings e também em casas (sim, casas de famílias); nas casas, as cabinas ficam do lado de fora, e para ligar, você passa o número desejado para o dono/dona, espera ele digitar o número da mesa dele, entra na cabina e fala. Ligação para fixo (llamada para fijo) pode ser feita a partir 100 pesos e para celular a partir de 200 pesos, mas não se esqueça de colocar *09+número .

Em Calle Larga (cidade vizinha) visitamos o Estadio de Calle Larga, que é a escola de futebol dos jovens colocolinos (como dizem, “KLLE LARGA ES ALBO”)

Muitos jovens se encontram na Plaza de Armas, ou fazem os CARRETES (festas, reuniões entre amigos) em suas casas acompanhado de um ASADO (e em outros casos, COPETES, que é a bebida alcoolica)
Em fevereiro, acontece as Las Chayas de Los Andes, que são 3 dias de shows em que muitos jovens vão para dançar, ou simplesmente se juntar.

Algo muito interessante de lá é que antes do Reggaeton* ser moda, o NOSSO AXÉ dominava as “discotecas” de lá, então, quando eu cheguei lá, sempre me perguntavam “sabe dançar axé? Aquela música lá ...”  -- *Reggaeton pode ser definido como uma mistura de reggae + rap, e as letras são tão pesadas como as do funk brasileiro ...


A Julia mandou também o link para fotos no SkyDrive.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Chorrillanas


por Nelson e Nancy
:: amigos do blog ::

Prato estudantil, pósbaladeiro e telefutebolístico número um do Chile é a chorrillana. Um petisco simplérrimo disposto em largas travessas, para se pinchar com palitos de dente. Composto por uma imensa cama de batatas fritas, recoberta por um espesso edredom de cebolas na chapa chafurdadas em ovos mexidos, sobre a qual se deita uma suculenta porção de lascas de carne frita. O caldo da carne e da cebola envolve as batatas, encharcando-as e deixando-as muito saborosas.

Uma lenda improvável conta que a chorrillana nasceu para atender aos marujos famintos que aportavam na cidade e precisavam de algo rápido, barato, nutritivo e acima de tudo farto, para aquecer o estômago. Sem grande preocupação com a balança, convenhamos.

Além da tradicional, de carne, hoje já existem variações com frango, linguicinha, vegetarianas e até de frutos do mar (que no Chile são razoavelmente acessíveis). Essa forma de preparo é conhecida como “a lo pobre”, porque faz render a carne, e pode ser encontrada nos cardápios de pés sujos de todo o país. Também há versões com molho de tomate.

Tido como o local de nascimento do petisco e considerado ainda a melhor chorrillana de todas é o Casino Social J. Cruz, em Valparaíso. Nada de cassino, mas muito de social. É um simpático sujinho cheio de personalidade, uma atração à parte e referência da boemia. Quando se olha a entrada a partir da rua, a impressão que se tem é de que se trata de sequestro. O boteco fica lá no fim de um estreito, escuro e interminável beco sem saída com muros grafitados, onde não passa carro. Quando se adentra, temos certeza que é seqüestro: encontra-se uma pitoresca sala de um fluorescente mal iluminado, com mesas e paredes forrados a cada milímetro com milhares de nomes e fotos 3 x 4 dos freqüentadores, provenientes de todos os cantos da galáxia, além de uma miscelânea de quinquilharias empilhadas, penduradas nas paredes e camisas de futebol do teto. O bar só serve chorrillanas, e as de carne, las verdaderas, acompanhadas de pão e salsa de pimenta ají, para apreciar com uma boa cerveja Escudo. A única opção disponível é o tamanho da porção, para duas ou três pessoas.

O ideal é visitar os Cerros acima à tarde, fotografando o exótico casario e visitando museus como uma das três casas de Pablo Neruda, e depois descer à noite para matar a fome nesse barzinho. Leve uma caneta para deixar seu nome lá.


Casino Social J. Cruz

Calle Condell 1466, Valparaiso, Chile

Aos pés dos Cerros Concepción e Alegre, no lado que dá para o porto

quinta-feira, 10 de março de 2011

Bebendo no Chile

por Nelson e Nancy
:: amigos do blog ::

Reconhecido produtor de vinho, o país se destaca pelo Cabernet Sauvignon e Carménerè (uva original de Bordeaux na França que atualmente só existe no Chile). Os tintos possuem um aroma delicioso, mas foram os brancos que nos surpreenderam combinando muito bem com o verão e os saborosos frutos do mar chilenos. Quem sentir saudades da caipirinha, deve pedir um Pisco Sour.

Agora vamos às informações que não estão nos guias de viagem: beba cerveja! Artesanais ou importadas... entre as chilenas provamos a Del Puerto, Kross, Kunstmann e Austral (no Brasil a R$ 25, nos botecos de lá por cinco reais!). As belgas também são acessíveis: metade do preço que pagamos aqui.

Para os abstêmios, uma recomendação: os chilenos gostam muito de açúcar e seus refrigerantes são mais doces. Há sucos naturais que podem ser feitos na hora ou vir da caixa - não há diferenciação no cardápio. Ao comprar água lembre que a natural (sem gás) tem tampa vermelha e a com gás leva a tampa azul, melhor ler o rótulo sempre. E como eles tomam bastante chá, o café geralmente é solúvel.

*Dica: prefira o tour em inglês ao visitar uma vinícola de grande porte para evitar a massa de turistas brasileiros, principalmente nos feríados.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Aluguel de Automóvel

O Chile é um país perfeito para ser explorado com toda calma, navegando suas excelentes 'rutas' com várias pistas em cada sentido e manutenção em dia - sinônimos de conforto e segurança. Há também estradas vicinais, normalmente com pouco movimento, e que permitem descobrir paisagens e lugares geniais que não estão nos guias.

Alugar um carro também não é problema no Chile. Para os brasileiros, basta o documento de identidade, a carteira de motorista do Brasil e um cartão de crédito internacional - é comum que exijam que o condutor tenha mais de 24 anos. As melhores experiências que tive alugando carros, tanto no Chile como também no Uruguai, foi com locadoras locais, pequenas, indicadas pelo hotel. Fazem um serviço personalizado, com cortesia e preço honesto.

Minha única má experiência foi com a Alamo Rent a Car, quando aluguei o carro em um pacote comprado no Brasil pela Tam Viagens. Serviço ruim e desonesto (único caso de desonestidade que vivenciei no Chile até hoje).

Com o Kia Morning que nos levou às casas
de Neruda em Isla Negra e Valparaíso.
Em Santiago, por duas vezes alugamos carros com a Good Rent a Car - por cerca de R$ 100 é possível alugar um Kia Morning (Picanto, no Brasil) - carro pequeno, econômico, bom de dirigir e valente (subiu as ladeiras de Valparaíso sem reclamar).

Normalmente, os carros alugados em Santiago possuem um equipamento utilizado para cobrar o pedágio nas autopistas que cortam a cidade - sem o equipamento, não é permitido andar nas autopistas. O aluguel do equipamento é cobrado, e custa cerca de R$ 12 por dia.

Outro lugar em que aluguei carro foi em Puerto Montt, na região dos Lagos. A locadora fica em Puerto Varas, mas atende tando em uma cidade como em outra. O atendimento na Kamils Rent a Car também foi excelente. Lá, locamos um Toyota Yaris muito confortável por um valor que lembro ter sido bom, mas não recordo quanto foi. Com ele demos a volta no lago Llanquihue, subimos o vulcão Osorno e fomos a ilha de Chiloé.

No meio da chuva,
dando a volta em torno do lago Llanquihue no Toyota Yaris.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Dois imperdíveis em Santiago: Liguria e Galindo

Há dois bares imperdíveis em Santiago. O Liguria e o Galindo.

O LIGURIA

Esse é um dos bares que eu classifico como de "classe mundial". Classifico assim aqueles bares nos quais, quando se entra a primeira vez, tem-se a impressão de que passou a vida inteira frequentando; de que, a qualquer momento, o garçom vai lhe chamar pelo nome e perguntar - "o de sempre?"

São três endereços, todos na Providencia. Eu só conheço o principal, na Av. Providencia, 1373, ao lado da estação Manuel Montt do Metrô. A linda identidade visual do bar é construída a partir da lira popular (espécie de literatura de  cordel) e da decoração dos bares, que são uma atração a parte, com as paredes cheias de quadros e reminiscências - de que ou de quem não se sabe, mas são reminiscências e isso basta.

A comida vai da culinária típica (de sabor forte e pesada) a massas bem preparadas como numa cantina. A carta de vinhos é variada e há também variedade de cerveja e chopp - recomendo, sempre, o Kustmann Torobayo, hecho en Valdívia. Lembre-se, barato no Chile são os vinhos.

Prefiro o Liguria para beber que para comer. Como petisco, não deixe de pedir os champignones salteados.


O GALINDO

Esse não é um bar que figure nos guias turísticos, embora receba turistas - e os receba bem. Localizado no barrio Bella Vista, o Galindo está bem próximo a La Chascona, a casa de Pablo Neruda em Santiago - um ótimo programa é visitar a casa e depois almoçar no Galindo.

Ao contrário do Liguria, prefiro o Galindo para almoçar e não para a noite. É o lugar perfeito para explorar a culinária chilena: uma parrilada para dos ou um pastel de choclo, por exemplo. Se a forme não for tanta, ou for muita que permita uma entrada, as empanadas por aqui são ótimas.

O Galindo na hora do almoço está sempre movimentado. Cheio não de turistas, mas de chilenos que, sem presa, degustam o almoço durante uma hora ou duas, sem presa, quase sempre acompanhado de vinho.


Bares de Classe Mundial

Além do Liguria, conheço o Lamas, no Rio de Janeiro, e a Bodeguita del Medio, em Havana, que merecem a distinção de pertencerem a essa classe. Conheci também o Riviera, em São Paulo, na esquina da Consolação com a Paulista - um bar de classe mundial que se foi.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Chegando a Santiago: Energia elétrica

Energia

A tensão da energia elétrica no Chile é 220v, o que normalmente não é problema, já que os equipamentos que costumamos levar em viagens (carregadores de celular, notebooks ou máquinas fotográficas, por ex.) geralmente são bivolt. Mas é preciso ter atenção se pretender comprar aparelhos eletro-eletrônicos.

O que pode causar alguma dor de cabeça é a tomada, com três pinos redondos em linha. (não confundir com a nova tomada de três pinos brasileira – essa só existe aqui).

Se a tomada dos aparelhos que levar na sua viagem for de pino redondo, tudo bem, vai funcionar. Se for de pino chato, vai precisar de uma adaptador – um “T”, ou benjamim, com pinos redondos e ranhuras chatas resolve e é possível encontrar adaptadores para comprar (mas não em qualquer esquina)
.
Agora, se o seu aparelho tem uma dessas tomadas brasileiras novas, leve um adaptador daqui.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Motivo para ir a Valparaíso: La Sebastiana


Boa parte dos brasileiros que viajam a Santiago (inclusive minha irmã) compra um passeio a Viña del Mar e Valparaíso, nas agências locais ou até em agências brasileiras, de um dia inteiro. Passeio corrido que,apesar de possibilitar uma percepção geral das cidades, muito próximas de Santiago, desconsidera uma maravilha de "Valpo"(jeito carinhoso dos chilenos nominarem Valparaíso) - La Sebastiana, outra casa de Pablo Neruda. Chama-se assim em homenagem ao seu antigo proprietário Sebastián Collado porque, ao contrário das demais casas essa já estava parcialmente construída, quando Neruda resolveu habitá-la. Situada no Cerro Florida, da casa se tem uma maravilhosa vista da cidade, que certamente alimentou o processo criativo do poeta. Sua organização em andares aos quais se ascende por corredores estreitos recria a própria arquitetura da cidade.

Estivemos em La Sebastiana duas vezes: na primeira subimos de carro, na segunda de ônibus local, que desafia as ladeiras íngremes,um passeio e tanto.
A visita guiada é realizada por meio de audiofones, e sim, está disponível em língua portuguesa.

É preciso tempo para explorar a riqueza das coleções, os objetos curiosos e a vista, que a visita proporciona.

E para os capixabas, atenção: há um mapa secular no segundo andar em que Guarapari está registrado.

La Sebastiana funciona de março a dezembro, de 10h10 às 18h e em janeiro e fevereiro, de 10h30 às 18h50, e está fechada às segundas-feiras. Os ingressos custam 12 reais a inteira, e 6 reais para estudantes e terceira idade.


Chegando em Santiago: Transporte

Chegando ao aeroporto, vc pode tomar um taxi em serviço privativo ou uma van, que funciona como um taxi coletivo.

Aeroporto – Providencia: Taxi - $17.000 // R$ 60 ; Van - $ 6.000 // R$ 21 (jan/2011)
Aeroporto – Viña del Mar: Taxi - $ 50.000 // R$ 175 (jan/2011)

No dia-a-dia, é possível utilizar o metrô para fazer quase tudo em Santiago. Utilizar os ônibus também não é difícil. No sítio http://www.transantiagoinforma.cl/ você encontra as rotas de ônibus e metrô e um útil planejador de viagens, que informa (e mostra no mapa) as melhores opções para ir de um a outro lugar.

Usar taxi não é caro, mas nem sempre é fácil pegar um na rua - é bom levar consigo o número de telefone de uma empresa ou pedir no restaurante ou bar que chamem um para você. Atenção, no Chile, quando você pede um táxi, paga a corrida desde o momento em que o carro sai para atendê-lo, e não apenas depois do embarque dos passageiros.

Chegando em Santiago: Câmbio

Comprar pesos chilenos no Brasil não é muito fácil. Quando preciso, recorro à Cotação (www.cotacao.com.br), que não tem filial em Vitória.

Mas isso não é problema. No Chile, a compra e venda de moeda estrangeira é livre, então há muitas casas de câmbio. Mas, atenção, não é comum realizar compras diretamente em moeda estrangeira, mesmo em dólares.

Você pode viajar com dólares ou mesmo com reais. Para fazer o câmbio de reais, em Santiago não haverá problema: todas, ou praticamente todas, as casas de câmbio que compram dinheiro brasileiro. Mesmo em Viña Del Mar, Puert Montt e Puerto Varas, onde encontrei algumas casas de câmbio que não trabalham com real, não foi difícil trocar o dinheiro.

Como em todo lugar, fazer câmbio no aeroporto é mau negócio. Se for preciso, troque o mínimo necessário e deixe para fazer o câmbio na cidade. Os melhores lugares são no Centro (há diversos bancos casas de câmbio no Passeo Ahumada) e na calle Pedro de Valdivia na Providencia, especialmente no trecho ao norte da Av. 11 de septiembre.

Nos shoppings também costuma haver casas de câmbio com horários mais elásticos, funcionando até mais tarde e no final de semana. Se estiver na Providencia, há uma no Mall Panoramico, av 11 de Septiembre, 2155 (entre as estações de metrô Pedro de Valdivia e Los Leones).

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Bicentenário

Há algum tempo que não fazia anotações aqui neste pedaço chileno na blogosfera brasileira. Mas, hoje, navegando por aí, encontrei o Blog da Mariazinha (http://blogdamariazinha.wordpress.com) que, pelas imagens e vídeo de Santiago postados, acredito ser outra brasileira que encantou-se com o Chile.

Isso me trouxe de volta aqui e de volta a vontade de escrever. Primeiro para registrar que este ano, 2010, é o ano do bicentenário da independência do Chile e do bicentenário da autonomia do Espírito Santo. Ainda não sei como, mas acho que devemos comemorar essas datas.

Seguem algumas imagens das lindas e fantásticas igrejas de Chiloé - construídas inteiramente em madeira e que resistiram a alguns terremotos.





segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Santiago em Setembro




Passamos o feriado de 7 e 8 de setembro em Santiago. Foi aniversário do Joca e nada melhor que passar o aniversário num lugar especial. A imponente cordilheira nevada nos acompanhava e protegia por todos os dias.
Os brasileiros também comemoram o 7 de setembro, em Santiago, fortalecendo os laços latino americanos e divulgando nosso país. O Centro Cultural Brasil-Chile (vinculado à Embaixada Brasileira) realizou uma sessão de conta contos para que as crianças chilenas aprendessem um pouco mais sobre o Brasil. As fotos mostram como a experiência foi vibrante.

domingo, 12 de julho de 2009

Um outro Chile

Tenho propagandeado o Chile entre os amigos e, vez por outra, alguém que pensava mesmo em ir até lá, resolve descobrir o que há de tão interessante nesse lugar do qual falo com tanto amor que escolhi viver no Chile algumas horas do meu dia - seja lendo o Mercurio, seja ouvindo a rádio Bio Bio, por exemplo.

O Maikel, amigo novo (exatos três anos neste mês de julho) foi um que apostou, pagou pra ver e foi conferir em pessoa o que é que o Chile tem. Pelo que sei, gostou. Acontece que o Maikel mantém um blog (ababelado mundo) em que deixa fluir o que lhe vem à mente ou lhe passa pelo corpo com mais talento do que ele acha que tem - os textos são saborosos.

Depois de voltar do Chile, onde encantou-se por Valparaíso, Maikel publicou suas impressões em seu blog. Como este blog aqui pretende ser uma coletânea de impressões pessoais não apenas minhas, mas reunir amigos que gostem do Chile e seus relatos sobre coisas chilenas, contrabandeei o texto do Maikel para cá - nele você poderá conhecer um outro Chile, que eu jamais poderia lhes mostrar. Abre aspas.


Se me perguntarem qual a melhor coisa do Chile, minha resposta será: os chilenos. Mas não só eles. Também os australianos, os ingleses, os americanos, os franceses, os portugueses e os argentinos que conheci entre Santiago e Valparaíso, na terra que, um dia, foi habitada pelos Mapuches e, há algumas décadas, foi remodelada por Pinochet.
Bebi muito vinho, mas não visitei nenhuma vinícola. Vi a cordilheira do alto (e foi a coisa mais linda que já vi do céu), mas não estiquei minha viagem até o Vale Nevado. Tirei fotos da Plaza de Armas, mas não acordei cedo para ver a troca de guarda em frente ao palácio de La Moneda. Sobre a história do Chile, aprendi mais no tête-à-tête com os santiaguinos, entre um bar e outro, do que nos museus e nas visitas guiadas. E acho que não poderia ter escolhido melhor caminho para descobrir de onde vem aquela vontade de vida que brota das poesias de Neruda.
A sobriedade europeizada das construções neoclássicas e a simetria das praças de Santiago escondem uma atmosfera efervescente. É preciso vasculhar os escombros de uma cidade esmagada pelo peso dos anos de chumbo para encontrar, sob as ruínas, formas de vida tão pitorescas quanto encantadoras. Sob o cinza do progresso (falo da nuvem de poluição que encobre o céu de Santiago), encontramos os extremos de um país que oscila entre uma animada “Marcha de la Marihuana” e um mar de católicos que corresponde a 70% da população. O país que canta ligalaaiiiize-ê ao som de Peter Tosh é o mesmo que só legalizou o divórcio em 2004!
Mas o contexto histórico do país está melhor descrito nos guias turísticos, que você pode comprar em qualquer aeroporto antes de voar em direção às cordilheiras. Logo, deixemos isso com quem sabe e falemos aqui do Chile que eu conheci, da atmosfera que experimentei e dos subterrâneos que percorri.
Meu primeiro contato com o Chile se deu pela janelinha do avião e, já nesse primeiro encontro, tive a certeza de que nos daríamos bem. A cordilheira é assombrosa! Creio que poucas paisagens do mundo são capazes se assumir contornos tão imponentes quando vistas do alto. É uma sucessão de montanhas e vales sem fim. A milhas de distância é possível avistar riachos que, do alto, não passam de filetes de água a rasgar, modestamente, o pouco espaço entre os imensos cones nevados que fazem as catedrais góticas parecerem brincadeira de criança. Com o perdão do lirismo: a visão da cordilheira é comovente.
Em terra, fui recebido por uma Santiago ensolarada. No caminho para o albergue Forestal, no bairro Bellavista, pude identificar os traços de progresso que ainda pipocam, por todo canto, no laboratório do neoliberalismo na América Latina. O que mais se faz em Santiago é construir. Há obras por todo lado. Mesmo em meio à tranqüilidade dos parques, dá pra sentir a intromissão do capital, que reverbera ao som das britadeiras e das marretadas. A rusticidade artesanal da Casa de Neruda, que nos tempos do poeta, possuía uma das mais belas vistas da cordilheira, é hoje obscurecida pela imponência dos prédios que brotam por toda Providência. Gigantesco, rivalizando infantilmente com a supremacia da montanha, está, em primeiro plano, o prédio de uma companhia telefônica. Tem quem goste, mas duvido que este cenário fosse capaz de inspirar, em Neruda, o lirismo de outrora.
Falei da casa do poeta porque foi essa a primeira visita “obrigatória” que fiz em minha passagem por Santiago. Era domingo e, depois de uma breve pesquisa na internet e uma consulta aos guias que trazia comigo, descobri que esse é um dia de pasmaceira na capital chilena.
Como estava em Bellavista, saí para uma caminhada pelo bairro e aproveitei para visitar La Chascona (a descabelada), que é como Neruda batizou sua casa na capital, em homenagem à última de suas três esposas. Os chilenos que me perdoem, mas nunca considerei Neruda um grande poeta. Estou com seu amigo argentino, Borges, que o preferia o homem ao artista. A visita só reforçou em mim esse sentimento. A abundância de bares e as particularidades do lar de Neruda levam-me a crer que esse era um daqueles caras com os quais sentimos imenso prazer em dividir uma botilla de vinho e deixar a conversa fluir ao sabor do vento.
Talvez por isso os barcos sejam a inspiração arquitetônica de Neruda para a construção de suas caras. Acredito que, mesmo sem saber nadar, ele era aquele tipo que sabe que o navegar é preciso e o viver, não.
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Creio já ter dito que o melhor do Chile foram as pessoas que conheci. Santiago, em si, não me pareceu a mais rica de encantos. Para quem, como eu, acostumou-se ao caos algo loco do Rio de Janeiro, a atmosfera pacata das ruas da capital chilena não despertam nenhuma euforia. Mas eu concordo com meu amigo que diz que moraria em Santiago. De minha parte, não pela tranqüilidade, não pelas conquistas de Pinochet; não pela limpeza, nem pelas praças; nem pela noite, nem pelos bares; mas pelos corações, sim.
Não ignoro o coração que me encantou foi o mesmo que deixou nascer uma das ditaduras mais cruéis da América Latina. Não ignoro que o coro formado pelo bater silencioso desses corações burgueses serviu para abafar os gritos que saiam dos porões, dos cárceres (e dos estádios) chilenos nos anos de chumbo. Mas tenho cá em mim um pouco dessa bondade enviesada que nos leva trilhar descaminhos que percorremos sem saber como e nem por quê. Vem daí minha condescendência.
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Descaminhos que levaram à prisão o “fantasma” que conheci no Ex-carcel, uma prisão de Valparaíso que virou centro cultural. Estava lá, um espectro, a lavar as roupas que usava na lida. “Puedes llegar, no soy ningun fantasma”, disse, sem demora, engatou uma conversa mui rica e contou do caminho que o levou da prisão ao voluntariado nos muros que nos cercavam. De como ele, outrora torturado, tornara-se ator e chegara a interpretar seu algoz, num filme sobre atrocidades do regime chileno, anos depois.
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O Chile se revela assim, aos poucos. Como os grafites que surgem, de repente, no virar de uma curva, nos labirintos multicoloridos de Valparaíso.
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Muitas das pessoas com as quais falei sobre o Chile no Brasil repetiram uma postura clássica quando lhes disse que adorei Valpo. A reação era, invariavelmente, de revolta ou de encontro. Revolta, para os que odeiam a cidade com toda convicção – parece uma favela, odiei aqueles becos, parece uma Ouro Preto piorada; encontro para os que, como eu, descobriram o que a cidade não mostra: sua gente, sua vontade de vida e de cultura, sua diversidade . Não sei se é a proximidade com o mar, se é o pôr-do-sol estonteante, que se pode apreciar do Cerro Bellavista, ou se é só um desejo de ser outro que faz das pessoas de Valparaíso seres tão agradáveis. Talvez seja apenas a ausência daquela casca-grossa que o progresso impôs a Santiago…
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Aos casais, recomendo explorar Santiago. Há lá os vinhos, os parques, as praças, os cerros e toda uma miríade de programas pra lá de românticos. Aos aventureiros, digo: peguem suas mochilas e piquem a mula para Valparaíso. Se gostar de cachorro, hospede-se no El Yoyo e conheça o Chico, um labrador simpático (e menos pulguento do que parece) e deixe ele sentar no seu colo enquanto você conversa com os outros vagabundos iluminados que, como você, estarão planejando a próxima incursão noturna pela cidade, que ferve de segunda a sexta. A todos, eu desejo a boa sorte de conhecer um grupo de europeus malucos como o que eu conheci, mas, se os astros não ajudarem, você poderá sair com Maxi e Natália, que trabalham lá mesmo, no albergue, e não vão hesitar na hora de partir com os hospedes para a balada mais próxima. Seja no Huevo ou no Coiote Quemado, a diversão é certa.
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Mas – vá lá! – eu estaria faltando com a verdade se dissesse que Santiago não tem seus encantos também para as pessoas de alma em formação. Procure com paciência e você vai chegar a lugares como El Terremoto, um misto de bar e restaurante que, à noite, vira um imenso salão de festas onde se pode dançar Cueca com as nativas.
Cueca é o nome de uma dança tradicional chilena. Que os desavisados não entendam mal. Não há relação entre a dança típica dos chilenos e as famosas festa do cabide (se sua intenção é essa, vá a um dos cafés com piernas que pipocam no entorno da Plaza de Armas e você terá mais sucesso). A Cueca é, como toda a dança típica, algo mui sério. Embora simule o ritual de acasalamento dos galináceos, como me explicou um santiaguino – que, por sinal, tocava numa das bandas que se apresentou no El Terremoto – a Cueca não envolve toque. Nada daquele clima de preliminar que envolve o zouk, a lambada ou o forró. Longe disso. A Cueca nos ensina a flertar ao longe, sem tocar. Como manda a natureza, na Cueca, cabe ao galo exibir-se e à galinha esquivar-se. De lenço na mão, o cabra precisa esforçar-se para atrair os olhares da fêmea da espécie e para isso vale quase tudo: girar, rodar o lenço no alto, feito crista, ou bater os pés no chão, feito esporas. O resultado é uma coreografia desordenadamente linda, onde os casais flanam pelo salão, cada um à sua maneira, formando um conjunto que, a princípio, pode parecer esdrúxulo, mas aos poucos se faz deveras sedutor.
Se faltar coragem, os mais tímidos podem recorrer a uma dose do drinque que dá nome a casa,o Terremoto, uma mistura perigosa de vinho branco suave, aguardente e sorvete (uma bola que bóia acintosamente sobre um copo gigantesco). O efeito só chega no dia seguinte e é capaz de fazer temblar os mais fracos. Mas o efeito imediato é mui recomendado.
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Faça amigos no Chile. Ou amigas, como eu fiz. Elas vão apresentar você à melhor empanada de Santiago (num lugar que, a priori, você jamais entraria, por imaginar tratar-se de uma casa onde os donos ouvem boleros e lêem jornal de porta aberta) e, nesse lugar, numa conversa desinteressada, você seria informado sobre o show do Chico Trujillo, que acontecerá – sem divulgação prévia – numa boate de nome Clandestino (sem letreiros na porta). Lá você só chegaria depois de conhecer La Piojera – “o bar 100% chileno”, freqüentado por Manu Chao – e descobriria um cantor pitoresco, que não se sabe ao certo de onde veio – se de Barcelona ou da Itália – e que toda uma mistura de reggae e música cigana que, sabe lá Deus por que, soa muito agradável e cheia de suingue.
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E isso é tudo que eu tenho a dizer sobre o Chile que não consta nos Guias que você pode comprar nos aeroportos do Brasil ou de Buenos Aires. Sei que se trata de uma descrição pessoalíssima, que não ajuda muito aos marinheiros de primeira viagem que querem fazer no país uma incursão menos alucinada, mas espero que, nas pessoas certas, este breve relato de minha passagem por aquelas terras possa despertar a curiosidade necessária para explorar um país que, como as dançarinas de Cueca, pode parecer esquivo, antes de mostrar-se encantador.

Suerte!


domingo, 10 de maio de 2009

La Chascona



La Chascona é a casa de Neruda que fica em Santiago, no bairro Bellavista. Construída para celebrar um grande amor: Matilde & Neruda, seu nome é uma referência aos cabelos da mulher que posteriormente cuidou de criar a Fundacion Pablo Neruda que gerencia as casas museu.

Uma construção irregular, em três partes ligadas por escadas e caminhos, com um jardim muito charmoso e uma espécie de terraço do qual se tem uma vista maravilhosa da cidade.

Das três, esta é minha casa predileta. Acho que por causa do bairro ou da sua história ou ainda, das suas cores vivas. Sua arquitetura muitas vezes lembra um barco, especialmente pela configuração das janelas.

Dos curiosos objetos do coisista Neruda que estão na casa, vale a pena prestar atenção ao quadro de Diego Rivera retrando Matilde, a descabelada e Neruda, escondido na representação.

A visita à casa é guiada. Tivemos sorte pois a guia que nos acompanhou era além de solícita, bem informada. Vale a pena marcar a visita para evitar longas esperas, já que os grupos não podem ser grandes.

Na saída, uma lojinha tem bons materiais com preços acessíveis, especialmente reproduções de desenhos e poemas de Neruda.

Minhas dicas são: tirar uns minutos para aproveitar o jardim de La Chascona e seu frescor, tirar uns minutos para ler o poema Pido Silencio (lindo, lindo!) registrado em "moais" no frontispício da casa e na descida parar no Galindo - um daqueles bares simpáticos da Bellavista - e comer a tradicional empanada, sem pressa... ali você terá oportunidade de conviver com os moradores de Santiago e ver passar os mais curiosos habitantes da cidade.
La Chascona funciona todos os dias das 10 às 18h e a visita custa cerca de 10 reais por pessoa.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Sobre as casas de Pablo Neruda

Se você gosta de ler os poemas de Pablo Neruda, também gostará de visitar suas casas espalhadas pelo Chile, se você não gosta de ler os poemas de Pablo Neruda, gostará de visitá-las também. Isso porque independente de Neruda, essas casas têm vida própria, não somente por sua singularidade arquitetônica mas também pelos objetos que agora ali moram.
As três residências, cada uma com um jeito muito peculiar, foram transformadas em museus, mas conservam sua identidade original, ou seja, são casas: com banheiro, quarto, sala, móveis e muitos objetos, muitos mesmo, em seu interior. O único lugar ao qual não se tem acesso é a cozinha, em nenhuma das três. Dizem que Neruda considerava a cozinha de uma casa seu lugar mais íntimo, mais privado e, como em vida não deixava seus convidados compartilharem desse espaço, não seria agora que se abriria tal concessão.
Conhecer cada uma das casas - sobre as quais ficamos sabendo já bem perto de nossa ida, por meio de uma leitura apressada no sítio da UOL - converteu-se numa experiência de encantamento. É impossível, passando por cada cômodo não imaginar o quão divertido deve ter sido viver ali... e dá vontade de ficar... quase proprietários da casa. Como seres vivos, as casas têm nomes: La Chascona, fica em Santiago; La Sebastiana, em Valparaíso e a terceira em Isla Negra.
Em outro post contaremos como foi passar por cada uma delas...

terça-feira, 5 de maio de 2009

Vinhos e a luz de maio

Entre os passeios obrigatórios no Chile, deve-se visitar ao menos uma vinícola: mesmo que não goste de vinhos, o passeio vale a pena.

Escolhemos a vinícola Cousiño Macul. Embora a escolha tenha sido feita pelo vinho – sou apreciador do Antiguas Reserva Cabernet Sauvignon, o ambiente da visita foi também o que mais calhou com nossas preferências.

Tudo é bastante sóbrio na visita, sem afetações turísticas. A impressão é a de que se flagrou o local em pleno trabalho. Pode-se conhecer todo o processo de fabricação e visitar as antigas adegas subterrâneas, que são o ponto alto do passeio. Destaque para a reserva da família, com vinhos das melhores safras: é de dar inveja,

Uma dica: a vinícola é próxima da maioria dos hotéis (cerca de 20 minutos) e a visita, que dá direito a degustação de duas taças de vinho e a levar a própria taça para casa, pode ser comprada no próprio local por cerca de R$ 30. O tour, comprado no Brasil, sai por até US$ 50. Mais informações em http://www.cousinomacul.com, ou pelo telefone (56 2) 351 4135.

Fomos favorecidos por outra dose de sorte. Estivemos lá em maio de 2008. Nessa época do ano, em pleno outono, a luz é muito bonita e o ambiente todo ganha um ar mágico, com o chão coberto de folhas.



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sábado, 2 de maio de 2009

Para começo de conversa

Tudo começou com uma viagem de turismo. Pacote típico brasileiro classe média. Alguns dias em Santiago, alguns em Buenos Aires - tipo promoção de supermercado, dois por um.

O impacto, porém, foi permanente. Bastaram cinco dias para que voltássemos apaixonados pelo Chile: fiz a viagem com Andréa, minha companheira de vida. Ela, por companheirismo ou por gosto, apaixonou-se pelo Chile junto comigo.

Buenos Aires foi legal, mas não tão marcante. E este não é assunto para esse caderno.

Nesta primeira viagem, andamos muito por Santiago e fizemos um ótimo passeio de carro por Isla Negra, Viña Del Mar e Valparaíso. Um dos momentos inesquecíveis foi a primeira visão do oceano Pacífico, em Alagarrobo.

No mesmo ano, voltamos ao Chile para conhecer melhor Viña e Valparaíso, além de explorar outros locais em Santiago. A surpresa, dessa vez, foi passar por Quintay – famosa na metade do século XX na pesca de baleias.

Mas, estas e outras viagens – tanto físicas como pela internet ou a literatura e o cinema – serão a matéria prima para este blog.

Bienvenidos.