domingo, 14 de agosto de 2011

Jazz em Santiago: El Perseguidor

A dica veio de um amigo que morou em Santiago no início dos anos 70 e que voltou lá várias vezes, depois. Para ouvir um bom jazz em Santiago, vá ao El Perseguidor. O guia da Viagem e Turismo também recomenda o local, mas não tema: os turistas são minoria (ao menos em noites de jazz).

A casa não é exclusiva de jazz e por lá você também encontra música brasileira (com destaque para o samba e a bossa nova) e noites com outros ritmos latinos, como rumba ou salsa. Vale a pena pesquisar antes a programação para não ir querendo curtir uma coisa e terminar ouvindo outra.

Na semana em que decidimos conhecer o local, só a noite de sábado era dedicada ao jazz. Trilha sonora escolhida: bebop com a banda de  Cristián Cuturrufo.

Reserva feita dois dias antes pela internet e confirmada por e-mail, surpresa na hora em que chegamos: o garçom não tinha a informação da reserva. Felizmente, havia um bom lugar vago. Sentamos, pedimos vinho e mojito e ficamos observando a chegada das pessoas.

A noite foi excelente! Fazia tempo que não ouvia jazz. E essa música faz bem para a alma. Couvert de $2,500 (R$ 9,36) + consumação de $ 5,000 (R$ 18,70). Só não consome o mínimo quem tomar só água, e olhe lá. Fim da noite: garrafa de vinho, um mojito, brusquetas e um filet trinchado, água e couvert mais propina , $ 41,090 (R$ 153). Não é de graça, mas também não é um absurdo, e o ambiente e a música valem a pena.

Dica: é uma casa de fumadores. Se não gosta de cigarro, fique em casa ou vá com o espírito preparado. Não seja um chato que ninguém lhe vai dar atenção.

Outra dica: no final do show todo mundo pede a conta e as coisas ficam um pouco confusas. Observe os santiaguinos, quando perceber que eles começaram a pedir a conta, faça o mesmo.

Depois, é dar uma volta pela Bella Vista que é uma festa de bares e restaurantes na noite que está só começando.

El Perseguidor
Antonia López de Bello #0126 - Bella Vista - (56-2) 777 67 63


segunda-feira, 16 de maio de 2011

Afinidades desconhecidas

Uma das grandes novas alegrias que a internet nos dá é descobrir afinidades com gente que nem conhecemos. Esse blog promove esses encontros.

O Peterson, por exemplo, comentou que " Acabei de voltar de Santiago. Esse post foi a última coisa que li antes de arrumar a mala. Obrigado pela dica da cerveja! Provamos a Kunstmann e Austral das que vocês falaram. Também gostei da Mestra!"

E esse comentário foi feito acerca de um artigo escrito por dois outros amigos do blog, que organizaram um post sobre cervejas: a Nancy e o Nelson.

Em homenagem a esses amigos desconhecidos, reproduzo abaixo a contribuição da Julia Borba, que esteve no Chile no começo do ano e nos escreveu: "Meu nome é Julia, e acabei de ler uma boa parte do seu blog e me encantei !! Fui pra lá em janeiro deste ano (...) Também sonho em morar lá, e já tenho formada dentro de mim a minha alma chilena (...)me identifiquei com o perfil (...): brasileiros amantes do Chile"



Minha viagem ao Chile
por Julia Borba
:: amiga do blog ::

Fui para o Chile em janeiro deste ano e ... fiquei TRÊS DIAS dentro de um ônibus!! Mas todo o esforço valeu a pena, já que lá é um lugar lindo e a cultura encantadora ; segue a lista dos lugares que conhecemos:

Aduana Chilena: chegamos lá as 4h30 da manhã e saímos as 7h00. Dá pra ver bem de perto a Cordillera , e a vista é encantadora!!!!! Claro, lá é muito frio, e quem não está acostumado, sente os efeitos das grandes altitudes.

Caminho para Los Andes: se subimos a Cordillera ... então também descemos! São 30 curvas, acompanhadas pelas montanhas e pelo rio Mapocho

Ciudad de Los Andes: ficamos hospedados num colégio que tinha uma grande estrutura: piscinas, 6 quadras, sala adaptada para alunos especiais, cafeteria, sala de dança, laboratório, sala de informática etc.; visitamos a Codelco (empresa da mineração chilena de cobre) e um “clube” patrocinado por ela, o Polideportibo. Passeamos por um shopping chamado Espacio Urbano (destaque para o Bar Mamut), e lá dá pra fazer o cambio de moedas. O Jumbo (supermercado) em comparação, é um “Extra” chileno.

Caso você tenha amigos chilenos e queira ligar para eles, você pode encontrar as “cabinas telefônicas” nas ruas, shoppings e também em casas (sim, casas de famílias); nas casas, as cabinas ficam do lado de fora, e para ligar, você passa o número desejado para o dono/dona, espera ele digitar o número da mesa dele, entra na cabina e fala. Ligação para fixo (llamada para fijo) pode ser feita a partir 100 pesos e para celular a partir de 200 pesos, mas não se esqueça de colocar *09+número .

Em Calle Larga (cidade vizinha) visitamos o Estadio de Calle Larga, que é a escola de futebol dos jovens colocolinos (como dizem, “KLLE LARGA ES ALBO”)

Muitos jovens se encontram na Plaza de Armas, ou fazem os CARRETES (festas, reuniões entre amigos) em suas casas acompanhado de um ASADO (e em outros casos, COPETES, que é a bebida alcoolica)
Em fevereiro, acontece as Las Chayas de Los Andes, que são 3 dias de shows em que muitos jovens vão para dançar, ou simplesmente se juntar.

Algo muito interessante de lá é que antes do Reggaeton* ser moda, o NOSSO AXÉ dominava as “discotecas” de lá, então, quando eu cheguei lá, sempre me perguntavam “sabe dançar axé? Aquela música lá ...”  -- *Reggaeton pode ser definido como uma mistura de reggae + rap, e as letras são tão pesadas como as do funk brasileiro ...


A Julia mandou também o link para fotos no SkyDrive.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Chorrillanas


por Nelson e Nancy
:: amigos do blog ::

Prato estudantil, pósbaladeiro e telefutebolístico número um do Chile é a chorrillana. Um petisco simplérrimo disposto em largas travessas, para se pinchar com palitos de dente. Composto por uma imensa cama de batatas fritas, recoberta por um espesso edredom de cebolas na chapa chafurdadas em ovos mexidos, sobre a qual se deita uma suculenta porção de lascas de carne frita. O caldo da carne e da cebola envolve as batatas, encharcando-as e deixando-as muito saborosas.

Uma lenda improvável conta que a chorrillana nasceu para atender aos marujos famintos que aportavam na cidade e precisavam de algo rápido, barato, nutritivo e acima de tudo farto, para aquecer o estômago. Sem grande preocupação com a balança, convenhamos.

Além da tradicional, de carne, hoje já existem variações com frango, linguicinha, vegetarianas e até de frutos do mar (que no Chile são razoavelmente acessíveis). Essa forma de preparo é conhecida como “a lo pobre”, porque faz render a carne, e pode ser encontrada nos cardápios de pés sujos de todo o país. Também há versões com molho de tomate.

Tido como o local de nascimento do petisco e considerado ainda a melhor chorrillana de todas é o Casino Social J. Cruz, em Valparaíso. Nada de cassino, mas muito de social. É um simpático sujinho cheio de personalidade, uma atração à parte e referência da boemia. Quando se olha a entrada a partir da rua, a impressão que se tem é de que se trata de sequestro. O boteco fica lá no fim de um estreito, escuro e interminável beco sem saída com muros grafitados, onde não passa carro. Quando se adentra, temos certeza que é seqüestro: encontra-se uma pitoresca sala de um fluorescente mal iluminado, com mesas e paredes forrados a cada milímetro com milhares de nomes e fotos 3 x 4 dos freqüentadores, provenientes de todos os cantos da galáxia, além de uma miscelânea de quinquilharias empilhadas, penduradas nas paredes e camisas de futebol do teto. O bar só serve chorrillanas, e as de carne, las verdaderas, acompanhadas de pão e salsa de pimenta ají, para apreciar com uma boa cerveja Escudo. A única opção disponível é o tamanho da porção, para duas ou três pessoas.

O ideal é visitar os Cerros acima à tarde, fotografando o exótico casario e visitando museus como uma das três casas de Pablo Neruda, e depois descer à noite para matar a fome nesse barzinho. Leve uma caneta para deixar seu nome lá.


Casino Social J. Cruz

Calle Condell 1466, Valparaiso, Chile

Aos pés dos Cerros Concepción e Alegre, no lado que dá para o porto